quarta-feira, 29 de Julho de 2009

O Guarda-Redes


É assim que o recordo, todo no ar, pernas quase invertebradas e mãos magnéticas. Massacres, autênticos atentados ao Benfica à Benfica coincidiram com a passagem do melhor guarda-redes de todos os tempos do nosso clube. O Benfica era uma sombra de si mesmo e numa defesa composta por centrais como Bermudez e Paulo Madeira a resistência encarnada era Michel Preud'homme. Qual John Connor batalhava numa luta desigual frente ao melhor ponta de lança do futebol português de sempre (Jardel) no auge das maiores tramóias de corrupção em Portugal. O próprio Benfica estava em modo auto-destrutivo com treinadores e presidentes que quase mataram o Benfica, mas Michel esteve sempre lá, sempre para nosso orgulho, para vermos os nossos rivais admitirem desarmados que o melhor guarda-redes era o do Benfica e que jogar com o Benfica mais fragilizado de sempre era sempre difícil porque bater Preud'homme era um feito. Lembro-me de expressões como "São Preud'homme" tais eram os milagres que ele fazia para salvar o Benfica. E mesmo quando a bola entrava (foram muitas vezes infelizmente) ninguém ousava culpar Preud'homme tal era a margem de manobra que ele tinha depois de tudo o que fizeram de águia ao peito. Ainda hoje sinto um enorme orgulho de ter visto jogar o melhor guarda-redes de todos os tempos do Benfica e de ter sofrido com ele tantos e tantos jogos. O Benfica era naquele tempo Preud'homme na baliza e João Pinto no ataque, o resto são memórias recalcadas que prefiro nem sequer acordar. Por estes anos longos em que Preud'homme foi expoente máximo do Benfica que eu digo que ser benfiquista é sofrer, mas com classe, sofrer todo no ar depois de defender três recargas de jogadores isolados, sofrer ainda a raspar com os dedos na bola, cair de pé e sair debaixo de lágrimas e aplausos. Acho que os nossos rivais respeitam muito isso em nós benfiquistas, não somos apenas memórias, somos um presente de resistência que apesar de tudo estamos todos os anos nos candidatos ao título, como se tivessemos tanto favoritismo como os demais. Somos os eternos campeões da pré-época porque somos os que têm mais fé, somos os que todos os anos vão entrar para ganhar todas as competições, somos os que têm sempre o melhor plantel, mesmo que os outros tenham melhor equipa, somos sempre uma facção a ter em conta nesta batalha. Somos a resistência maior do futebol português, somos os heróis que lutam contra "a máquina", contra a razão, contra a táctica, contra a ciência... Somos a estúpida emoção, a que perde sempre, a que joga à Carlos Martins, a que só ataca e que tem na baliza o melhor guarda-redes do mundo para heroicamente todo no ar defender o impossível e nos salvar da irracionalidade do nosso futebol.

Mas nos dias de hoje em que temos mais equipa do que no tempo de Preud'homme carecemos de um herói na nossa baliza. Três mortais lutam pelo trono que nenhum consegue ocupar, permanecendo um eterno empate entre três. Se Quim foi o que chegou a ser rei por uns tempos, acabou por ele próprio (com ajuda de alguns treinadores) abdicar da sua condição. Júlio César será o senhor que se segue? O tempo dirá, mas algo nele é à Preud'homme, não sei se serão as pernas "bambas" quando se atira, se é a sua tentativa de agarrar em detrimento de socar, ou se é o facto de parecer pequeno e ágil quando tem mais de 1,90m... Resta-nos sonhar que um digno sucessor de Preud'homme venha assumir o trono e liderar a resistência, porque um guarda-redes é tudo isso, o jogador menos racional e tacticamente mais desconsiderado de toda a equipa, aquele que não entra no 4-4-2, no 4-3-3 ou no 3-5-2. O guarda-redes é o adepto que voa e defende o seu clube, todo no ar mandando o remate ao ângulo da razão para canto.

terça-feira, 21 de Julho de 2009

3 Semanas e meia depois...

Hoje conhecemos pela primeira vez o sabor da derrota na pré-época 2009/10 e logo no jogo de apresentação com a Luz engalanada para ver os nossos meninos pela primeira vez esta temporada. O adversário era difícil e recheado de grandes jogadores, que apesar de terem menos pré-época nas pernas, não deixam de ser naturalmente craques e com rotinas de jogo da época anterior, pois a equipa que defrontou hoje o Benfica não estava muito longe daquela que jogou com o Porto na Liga dos Campeões. Assim, em jeito de balanço após 5 jogos de novo Benfica, com 1 empate, 3 vitórias e 1 derrota, não é nada mau o futebol praticado, apesar de algumas lacunas da equipa me parecerem algo difíceis do treinador corrigir. A título de exemplo veja-se este post no blog Lateral Esquerdo da autoria de PB acerca de Carlos Martins e divirtam-se. Mas há mais coisas caricatas neste plantel que Jorge Jesus terá de trabalhar muito, tal como David Luiz que tenta ser um Beckhambauer moderno usando o pior pé para fazer passes longos complexos, subindo no terreno em jogada individual à Messi e esquecendo-se que para ser defesa central é fundamental jogar em equipa e respeitar os princípios tácticos da equipa. Outro caso é Yebda que após rasgados elogios de Mourinho parece começar esta época da mesma forma que acabou a anterior, ou seja, parado ou a passo, a esquecer-se de fazer recepções de bola orientadas e, principalmente, a esquecer-se que agora joga como pivot defensivo, jogador chave no sucesso da equipa toda e não apenas mais um talento emergente que daqui a uns anos poderá ser grande jogador. Já Sepsi e Shaffer disputam o lugar do menos mau, esperando muitas dores de garganta a Jorge Jesus a corrigir estes dois defesas esquerdos que permanentemente fazem tudo menos defender. Este meu lamento hiper-crítico está, claro, associado ao sentimento de derrota do jogo de hoje, porque mesmo a feijões dói muito ver o Benfica perder.

Claro que as coisas boas também estão lá, também me dá gosto ver Fábio Coentrão, qual David Bowie (pelo menos no cabelo), tornou-se também um camaleão do futebol, deixando a pose à Quaresma para ser um jogador esforçado e sempre no apoio defensivo aos colegas, demonstrando que está atento ao que o treinador lhe pede. Neste aspecto bate aos pontos Reyes que, apesar de ser um grande jogador, no ano passado a defender só o fazia meio enraivecido, com carrinhos por trás tendo já um amarelo, sem falar no jogo de Guimarães em que lhe parou o cérebro ao conseguir ser expulso por acumulação de amarelos antes do intervalo (estamos a falar de um extremo). Outras coisas positivas no Benfica destes primeiros 5 jogos é o ataque, com Saviola e Cardozo a prometerem muitos golos e com Aimar a jogar muito bom futebol e fazer chegar a bola muito bem a estes dois homens. Mas, para mim, o problema do futebol ofensivo do Benfica começa muito antes da bola chegar a Aimar, desde logo o pivot defensivo, em que apenas Amorim constrói bem jogo, depois os interiores ou são cheios de boas intenções mas muitas vezes infrutíferas, estilo Carlos Martins, ou parecem eternas promessas que todos anos estão com um pé no Real Madrid mas que tardam em adquirir a maturidade necessária para se assumir indiscutivelmente como grandes jogadores, estilo Di Maria. Este tampão no jogo ofensivo do Benfica retira fluidez de processos e torna o jogo mastigado e previsível para os adversários.

Mesmo assim, as 3 vitórias anteriores mostraram muitas facetas deste plantel que no ano passado não se viram, principalmente a forte capacidade para dominar o jogo no meio-campo ofensivo, o que com Quique Flores era impensável. Só assim foi possível virar o resultado frente ao Athletic Bilbao e Olhanense, porque bombear bolas para o Cardozo como no ano passado tornava tudo mais difícil. Jesus está, para mim, aprovado, e se o criticavam pelo discurso imponderado, até agora não há qualquer razão de queixa, muito pelo contrário. Aguardo, no entanto, com ansiedade as prestações de Javi Garcia e Ramires, pois pelo que custaram têm de ser muito mais jogadores do que aquilo que vê no youtube, mas diz-me a razão que o tipo de jogadores que o Benfica precisa neste momento são aqueles que não têm muita coisa para compilar num vídeo, pois o seu melhor futebol é aquele que não se vê, mas que a equipa adversária sente.

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

A Suiça e os mercenários

Após um interregno de dois anos, eis que a comitiva benfiquista regressa à Suiça para efectuar a sua preparação para a época vindoura. Nas passadas duas épocas concordei com a necessidade de aproveitar as novas infra-estruturas do centro de estágio do Seixal e manter o plantel próximo do trabalho e não desconcentrado com a mítica "euforia" que muitos consideram ser o grande mal do Benfica e a explicação para a dificuldade de lidar com a pressão que alguns jogadores apresentam. No entanto, proteger o jogadores dessa euforia dos adeptos pode ter o efeito contrário, ou seja, aquando do momento competitivo a doer com o Estádio da Luz cheio de adeptos benfiquistas eufóricos, os jogadores podem acusar a pressão e tremerem como varas verdes, o que foi muitas vezes o caso na época passada. Logo, uma pré-temporada na Suiça onde o aglomerado de benfiquistas é bem significativo e capaz de representar a euforia de que muitos têm medo, pode ser benéfico, pois mais vale tremer nos treinos com os adeptos a pressionar os jogadores para correrem mais um bocadito do que em competição. Claro que a importância dos treinos à porta fechada é crucial, mas alguns treinos podem ser perfeitamente à porta aberta, tendo mesmo alguns efeitos benéficos no empenho dos jogadores, porque não me parece que nenhum deles quererá fazer má figura num treino em frente a mil adeptos. Assim, este ano não tenho medo da euforia, antes pelo contrário, espero que esta contagie os jogadores que vêm de um ano tudo menos eufórico. Existe, poderão argumentar, o perigo de se deixar levar pela euforia e à primeira contrariedade ver os índices morais dos jogadores caírem vertiginosamente, mas aí terá de ser o espírito de grupo a falar mais alto no sentido de voltar ao estado de graça. É isso que torna as equipas fortes, é a sua capacidade de fazer face às adversidades e ultrapassar os obstáculos, como em tudo na vida. Ir fazer parte da pré-época à Suiça, EUA, Canadá, França, Alemanha, Luxemburgo, África do Sul ou outro país onde a presença de emigrantes benfiquistas seja significativa e ilustrativa da força do Benfica é uma mais valia que mais nenhum clube português consegue ter, logo deverá ser aproveitada caso os técnicos vejam nisso um benefício. Na minha opinião é bastante positivo, lembro-me de jogadores do Benfica como o Karyaka que na pré-época na Suiça se transcenderam e demonstraram qualidades que, infelizmente, não mais poderam demonstrar, o que atesta ainda mais o poder motivacional de uma pré-temporada junto da euforia benfiquista (que podemos considerar o nosso sinónimo de exigência). Se alguns defendem uma cultura de exigência no Benfica, não mais consigo me lembrar do que treinos à pinha, com adeptos a pedir o suor dos jogadores em cada exercício, em cada sprint e em cada peladinha. Se isto não é exigência, então o que é? Ameaças as jogadores? Carros partidos? Não, isso não é à Benfica.


Outro dos temas quentes do momento são os desvios de jogadores para o Porto. Não culpo os portistas por tal facto, nem os dirigentes do Benfica, é mais uma questão de perfil do jogador. Já manifestei anteriormente a minha profunda náusea pela atitude mercenária de determinados jogadores que encaram o Benfica como uma porta para a Europa. Nesse aspecto estou com muitas reservas relativamente a Ramires, apenas pelo que li na imprensa. A sua ideia de passar um ano no Benfica e depois procurar outros vôos é absolutamente inaceitável, pelo simples facto de ainda não ter feito, sequer, um jogo de águia ao peito. Jogar na canarinha não implica, necessariamente, a obrigatoriedade de jogar no campeonato espanhol, inglês ou italiano, por isso se é para ficar só um ano, que fique no banco para evitar lesões que possam inviabilizar um futuro negócio e ceda lugar a outros jogadores com vontade de defender agora e para sempre o Benfica. Voltando aos desvios para norte, aceito-os com resignação. É perfeitamente natural que um colombiano ou um uruguaio tenha preferência pela oportunidade de jogar na Liga dos Campeões do que na nova Liga Europa, que procure um cheque mensal mais gordo, que se sinta mais próximo dos títulos num clube tetra campeão... O que não era natural era ver um jogador abdicar dessas oportunidades por um projecto de águia ao peito, muito mais difícil, muito mais exigente, só ao alcance de alguns... Aqueles que relembraremos para sempre como ídolos e nunca como mercadoria que anda de lá para cá. Nomes bem recentes como Simão, Miccoli, Geovanni, Petit, Luisão, Nuno Gomes, Rui Costa ou Mantorras, são muito mais do que dinheiro, são aquilo que nos move e faz de nós benfiquistas, tão únicos e tão especiais, que mesmo sem títulos, enchemos os estádios por onde passa o Benfica com a mesma fé de sempre.

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Sr. Presidentix

Nas funções mais complicadas de um dirigente de um clube de futebol insere-se, seguramente, a aquisição de reforços para o plantel principal. Alguns clubes vão para as negociações representando-se pelo próprio presidente, outros vão ainda mais longe e levam o treinador também, mesmo que seja uma venda (veja-se o caso do Sepsi que chegou a Lisboa para assinar pelo Benfica acompanhado pelo presidente e pelo treinador do antigo clube). Recentemente o Nacional da Madeira vendeu o Nené ao Cagliari e foi o presidente do clube que acompanhou o jogador a Itália para selar o negócio. Se por um lado a ideia que transmite é de um interesse profundo do presidente quer na compra, quer na venda dos jogadores, por outro lado também passa uma imagem algo absolutista no clube, em que o presidente assume uma postura à Hugo Chávez ou Fidel Castro. Se na política esta postura é um atentado à democracia e à liberdade dos cidadãos, no futebol não se levantam muitas questões, desde que o clube vença jogos e competições ninguém levanta grandes ondas relativamente ao estado ditatorial de alguns clubes (o caso do Porto é o mais gritante a nível nacional). No Benfica nunca havia surgido nenhum regime presidencial, a história do clube e a sua dimensão sobrepôs-se sempre a uma figura individual. A chegada de Vale e Azevedo à presidência do Benfica constituiu um ponto de viragem nessa história, uma vez que o próprio presidente utilizou o seu cargo no clube para transferir património do clube para a sua riqueza pessoal. Foi uma grande traição ao clube e os sócios que o elegeram acabaram por ditar o desgoverno do Benfica do final da década de 90 até aos dias de hoje. A promessa de jogadores craques e um discurso profundamente demagógico associado à falta de outras opções credíveis para a presidência do clube conduziram a um suicídio colectivo sob a forma de voto, colocando um advogado que poucos conheciam no poder do clube. Actualmente, quase dez anos depois, julgo que o presidente do Benfica não tem tantos poderes como naquela altura. Hoje é necessário responder a administradores da SAD, é preciso ouvir e consultar o director desportivo na formação do plantel de futebol e ouvir os sócios que, escaldados após a fase Vale e Azevedo, estão sempre com um pé atrás em relação ao presidente do clube.

Como adepto encaro com alguma apreensão todo o estado em que se encontra a direcção do Benfica. A situação das eleições antecipadas, associada às declarações de Manuel Vilarinho, a suposta tentativa de assalto de uns espanhóis, a candidatura adiada para 2012 de José Eduardo Moniz (que associo à, de longe, pior estação televisiva portuguesa), mais a candidatura de Bruno Carvalho (demasiado fundamentalista e pouco atento ao lema do clube onde se salvaguarda sempre a importância da pluralidade no clube como sinónimo de união e de força que apenas o Benfica consegue ter em Portugal) e o alegado buraco financeiro do clube (que ninguém parece querer tapar tais são os valores aplicados em transferências), deixa-me completamente aterrado e incapaz de vislumbrar um caminho para inverter todo este cenário. Luís Filipe Vieira é, ainda assim, o homem em quem se pode confiar mais nas parcas opções para a presidência do Benfica. Mas pelo que ouvi de Manuel Vilarinho, as coisas não correm muito bem no clube e existe pouco sentido de união nos funcionários do clube. É mau demais para um comum adepto como eu. Não sei dar um único bitaite acerca do tema, apenas o meu medo de que se tivesse surgido um novo Vale e Azevedo (mais refinado e actualizado, capaz de dizer aos benfiquistas aquilo que eles querem ouvir) provavelmente ganharia as próximas eleições, tal o descrédito que Luís Filipe Vieira começa a ter em algumas franjas da massa adepta do clube. Seria a machadada final para o Benfica. José Eduardo Moniz foi uma espécie desse demónio, pois alegadamente iria vender o clube a uns espanhóis, bem ao estilo do que aconteceu com o Farense que desapareceu do mapa, com o Estádio S. Luís à venda e a sobreviver graças ao espírito de luta das suas camadas jovens. Trocar o certo pelo incerto é cada vez mais um pesadelo para o benfiquista, por isso mais vale continuar Luís Filipe Vieira, pois é sinónimo de manutenção e espera incessante por um treinador milagreiro ou por um grupo de jogadores capazes de vencer o Império portista. Sim, mais do que uma ditadura, o Porto é um império, uma vez que os seus adeptos não passam por dificuldades como os habitantes de Portugal antes do 25 de Abril, antes pelo contrário, são bem gordinhos e todos os anos têm mais banquetes ao estilo da Roma de César. Rui Costa e Jorge Jesus vão ter de ser uma espécie de Asterix e Obelix e combater os romanos do Porto que todos os anos reforçam as suas fileiras de legionários do futebol moderno (uruguaios de preferência) que se encaixam passado uns meses na filosofia do império e começam a conquistar tudo. Para os vencermos possuímos a poção mágica a que chamamos de mística, feita pelo druída Panoramix (Eusébio) que está imortalizado numa estátua à frente do nosso estádio e que, actualmente, apoia Luís Filipe Vieira para presidente. Tal como na banda desenhada, o chefe da aldeia (Luís Filipe Vieira) é meio aluado e conflituoso, gostando de dar grandes discursos que apenas os mais crédulos prestam atenção, pois os heróis Asterix e Obelix sabem que as vitórias frente ao romanos devem-se à coragem e à poção mágica e não a discuros narcisistas e persecutórios.

As eleições estarão aí em breve e, excluindo um cenário de má interpretação dos parâmetros legais do processo eleitoral, a minha aposta vai para a continuidade de Luís Filipe Vieira, pelo simples facto de considerar que finalmente temos um Asterix (Jorge Jesus) e um Obelix (Rui Costa - não precisa de beber poção mágica, caiu nela quando era pequeno) capazes de deixar o chefe da aldeia a falar para os pacóvios e arregaçar as mangas para vencer o império romano. Até parece que os estou a ver a fugir dos nossos heróis, com capacetes de legionários a voar e no final da época a imagem dos Benfiquistas será mais ou menos esta:

Missão cumprida, Benfica Campeão!

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Regresso à Casa

Algumas semanas volvidas e o dia do regresso à Casa está cada vez mais próximo. Ainda me lembro bem da primeira vez que lá entrei, meio a medo sem saber bem o que se passava por lá, se iam olhar para mim e perguntar-me o que é que eu estava ali a fazer numa casa particular e restrita. Mas rapidamente me senti em casa na Casa. Era dia de derby e estava a abarrotar de gente. Tive de ficar em pé num jogo que terminou num empate. Alguns aplaudiram o empate após o apito final, outros criticaram os que aplaudiam porque não se aplaude um empate do Glorioso. Fui embora satisfeito, não com o empate, mas com a atmosfera que encontrei na Casa, muito distinta de qualquer outro local onde havia assistido a um encontro do Benfica. Gostei e repeti a dose... até hoje. Sempre diferente, sempre inconfundível, lembro-me que já saí de lá completamente inconsolável, sentindo que o Benfica havia sido prejudicado como nunca se vira nunca em nenhum desporto, faltando apenas que o árbitro pegasse na bola e a chutasse para a baliza do Benfica. Foi quando perdemos 5-3 em Alvalade para a Taça de Portugal. Lembro-me do 3-3 do Cebola que festejei com um berro saltando da cadeira como se ejectado de um avião. Parecia que íamos conseguir ultrapassar todas as adversidades e injustiças de que foramos alvo. Mas não... perdemos, e eu juraria que o Sepsi tinha sido agredido violentamente quando perdera a bola que o Vukcevic faria balançar nas nossas redes. Nem no dia seguinte me conformei. Aos poucos e no jogo seguinte as coisas foram-se aclarando, mas o sentimento de injustiça ainda hoje permanece.

Mas não vivi só momentos dramáticos na Casa. Houveram momentos muito saborosos como na vitória esta época por 2-0 ao Sporting. Mas o mais caricato foi ter ido para a Casa antes da hora do jogo para guardar lugar e quando, supostamente, o jogo iria iniciar-se viamos na televisão os jogadores a chegar no autocarro ao parque de estacionamento do estádio. Ninguém parecia muito bem entender o que se passava, mas estava tanta gente na Casa que pensou-se que a hora do jogo teria sido mal anunciada pela imprensa. Mas não... O jogo tinha mesmo começado e a explicação para as imagens atrasadas residia na nova box da Meo que a Casa havia adquirido de véspera para poder ver o Benfica-Nápoles na novíssima BenficaTV. Possivelmente a pessoa encarregue de meter o jogo na Sport Tv deve ter carregado nuns botões a mais e estavamos a ver imagens gravadas. Resolvida a anomalia já decorriam 10 minutos de jogo. Foi uma chinfrineira, um azedume que eu próprio partilhei com os meu amigos benfiquistas de que haviamos perdido algo de muito importante e que não poderiamos recuperar. Mas o Benfica jogou à Benfica e pouco depois Reyes assistido por Aimar levantaram aquela gente toda que gritou Golo! a plenos pulmões enquanto eu era empurrado para cima de dois amigos por outros benfiquistas que em apoteóse se debruçavam uns nos outros tal a incontrolável alegria que sentiam. 10 segundos depois voltou tudo a sentar-se, a elogiar o passe de mestre do Aimar, o remate espectacular do Reyes mesmo na gaveta, e o Quique que tinha metido aquela equipa a jogar bom futebol. Só que o Benfica não ficou por aqui. Mais tarde Carlos Martins coloca a bola na área e Sidnei, um dos miúdos de 19 anos que blindaram o centro da defesa do Benfica nesse jogo, saltou mais alto e fez saltar de novo a Casa. De novo o grito de golo e o sentimento da suprema glória que é ser benfiquista. Fomos embora felizes, radiantes mesmo e confiantes para a segunda-mão da Uefa contra o Nápoles. E poucos dias depois, no mesmo estádio, no novo canal vimos a repetição do resultado aplicado ao Sporting. Mas desta vez com a Casa ainda mais cheia porque a Meo era coisa nova por estas bandas. Todos os benfiquistas que conheço da minha terra aderiram em massa. E já nos segundos 45 minutos de novo Reyes a fazer explodir de alegria a Casa, desta vez mal me pude mexer de tão apertado que estava. Apenas saltei e voltei a ser invadido por uma alegria enorme e olhei à minha volta toda a alegria de quem muito sofre pelo Benfica e que, infelizmente, não tem tido muitas oportunidades de festejar conquistas importantes. Apesar destes dois jogos não terem valido nenhum título, valeram pela felicidade que me proporcionaram e aos que me rodeavam. Por isso lembrarei Quique como o técnico que nos fez sonhar até ao Natal, pecando depois por não ter feito esse sonhar desenvolver a equipa, acabando mesmo por atrofiar o seu futebol. Não mais vimos Reyes com a mesma capacidade decisiva de jogador à Benfica e toda a equipa foi ficando mais débil jogo a jogo.

No entanto, na Casa testemunhei muitos outros jogos do campeonato, menos concorridos pelos benfiquistas, mas sempre com os fiéis presentes. As mesmas vozes que criticam um bocadinho demais os jogadores, mas que nunca desistem de estar ali para os ver. Eu sou mais contido a ver os jogos na Casa. Os nervos que sinto quando vejo os jogos sozinho noutro sítio desaparecem porque existe sempre alguém que protesta por mim em todos os lances em que o Benfica sai a perder. Mesmo quando tal não é propriamente justo. Mas a palavra de ordem nos lances duvidosos é "Em caso de dúvida marca-se sempre falta contra o Benfica".

Em determinados jogos fico completamente no silêncio, analisando a equipa a partir das minhas rudimentares noções tácticas, acenando com a cabeça positivamente quando satisfeito e negativamente quando insatisfeito. Noutros jogos aplaudo e incentivo os jogadores mesmo sabendo que não me ouvem. Ou será que sim? Ser jogador do Benfica é sentir essa energia toda e saber que vem de 6 milhões de almas benfiquistas. Não admira que nem todos tenham estofo, mas os que têm ficam para sempre com a nossa gratidão e admiração.

Em breve regressam os torneios de pré-época e nada melhor do que regressar à Casa para ver os novos reforços e o novo treinador, numa atmosfera em que estou rodeado de infinitos quadros com fotos das equipas que ao longo da nossa história secular envergaram com orgulho o mítico manto sagrado, de galhardetes de jogos anteriores ao meu nascimento. É assim que passo os intervalos dos jogos, enquanto os fumadores se retiram da Casa deixando-a às moscas (porque na Casa felizmente não se fuma), vejo e revejo os rosto do passado que não vi, os cabelos afro-style dos anos 70, os bigodes que hoje os jogadores não usam, as fotografias a preto-e-branco em que as camisolas aparecem pintadas de vermelho por cima e as infindáveis águias, canecas, pratos, miniaturas de Estádios da Luz e uma pilha de jornais A Bola já de épocas anteriores.

Já falta pouco. Espero encontrar-vos na Casa esta época porque este ano é que vai ser!

quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Deixem-me sonhar

Este defeso está a ser um verdadeiro teste à paciência benfiquista. Desde possíveis eleições antecipadas, até à infindável novela do treinador, somando o "caso" Álvaro Pereira, mais um canhoto uruguaio tentado pelo cheiro a títulos fáceis e ao futebol da Liga dos Campeões. Para além dos resultados miseráveis das últimas épocas, sobram situações complexas a resolver no futebol do nosso Benfica que mais vale ver os jogos do basquetebol e do andebol onde ombreamos com qualquer equipa nacional de igual para igual na discussão de títulos. No futebol, por seu turno, travamos uma luta desigual, sempre que o Benfica sonda determinado jogador e o Porto também o tenha debaixo de olho é certo e sabido que vai jogar de azul e branco deixando a missão hérculia de acordar o gigante adormecido para um maluco qualquer sem amor à carreira nem à carteira. Tudo isto porque o jogadores agora são "profissionais" e não "amadores"... Fazem falta "amadores" que amem e sonhem jogar no Benfica desde pequeninos, serão esses que, bem orientados, provavelmente irão fazer o Benfica campeão e devolver-nos a sensação maravilhosa que é ganhar o título nacional. Muitos benfiquistas defendem que uma boa alternativa ao uruguaio para a lateral esquerda seria Rúben Lima, que vem traçando o seu percurso formativo no Benfica e que poderia ser um bom transportador da mística benfiquista para o relvado, à semelhança do Miguel Víctor. No entanto, não deixo de encarar esta alternativa com um pé atrás, não pela qualidade do jogador porque conheço-o tão bem (mal) como conheço o Álvaro Pereira, mas pela atitude que muitos jovens jogadores portugueses demonstraram nos últimos tempos. O Manuel Fernandes, por exemplo, também criado desde pequenino no nosso clube não demorou muito a dizer que tinha futebol a mais para o Benfica e que tinha outras ambições muito para além do Estádio da Luz. Imagine-se que o Rúben Lima fica no plantel do Benfica e começa a jogar tão bem como o Manuel Fernandes fez, certamente não faltariam propostas para sair e contratos gordos com clubes de grandes ligas europeias. O meu sonho era que o Rúben Lima dissesse "Não quero sair porque o meu sonho é ganhar a Liga dos Campeões com o Benfica e devolver o orgulho e a glória ao Benfica e aos benfiquistas". Quem diz o Rúben Lima diz outro miúdo benfiquista que esteja na calha de entrar na primeira equipa encarnada. Sonho com um Benfica cheio de valores portugueses, não porque tenho fetiches nacionalistas, mas porque considero que, actualmente, são os portugueses que conseguem compreender o que é ser benfiquista e o que é a mística do Benfica. No dia em que vir indianos ou americanos nas bancadas do Estádio da Luz a chorar uma derrota do Benfica (como aquele miúdo indiano na derrota do Chelsea com o Barcelona) mudarei a minha opinião e a dimensão do clube será tal que Portugal tornar-se-á demasiado pequeno para tanta mística. Até lá manterei a minha posição porque estou farto de ver jogadores a crescerem no Benfica e no preciso momento em que estão prontos para começar a comer títulos de águia ao peito, lá vão eles para Itália, Espanha ou Inglaterra. Não duvido que Sidneis, David Luízes, Di Marias ou Urretas mal atinjam o patamar que o seu potencial promete poder atingir façam as malas e partam para outro local porque o Benfica é visto como uma "porta" para a Europa. Já quando li informações acerca do novo reforço Ramires, em que alguns homens do futebol brasileiro o consideram tão bom que ficará pouco tempo no Benfica, só me apetece mandar o Ramires para o lixo e meter o Romeu Ribeiro a jogar a titular. Afinal, vi esta época do Fernando Alexandre no Estrela e comparando-o com o Bynia, não percebo o que é que o Fernando Alexandre precisava mais de fazer para se ter mantido no Benfica e o que é que o Bynia fez de especial para cá estar.
Até quando vou ver Maniches a ir embora ao chuto no cú, até quando vou ver o Jorge Ribeiro queimado no banco com um central a jogar a lateral esquerdo, até quando vou ver o Coentrão marcar golões ao Porto enquanto peço de joelhos ao Balboa para fazer qualquer coisa de jeito, até quando vou ver o Aimar ser pago a peso de ouro para jogar menos que o Nuno Assis renegado em Guimarães... E depois, quando parece que a ideia da formação de jovens portugueses é boa, os próprios miúdos dão tiros nos pés, pedindo ordenados milionários sem terem ganho nada (João Pereira), pedindo para sair já (Manuel Fernandes), sem falar nos exemplos deprimentes da formação que chegam do outro lado da 2ª circular, que uma época após de verde às risquinhas já não cabem nos campos portugueses tal é a sua similitude com o Cristiano Ronaldo. Onde estão os sucessores de Rui Costa, João Pinto, Rui Águas, Figo, Paulo Sousa, Nuno Gomes, Sérgio Conceição, Jorge Costa, Pedro Barbosa, Sá Pinto, Domingos, Baía, etc.? Se calhar é melhor mandar abaixo as academias, os centros de estágio e afins, para que os miúdos voltem a jogar no Sacavenenese, Pastilhas ou Passarinhos da Ribeira para sonharem com o Benfica e rivais (sem rivais também não tinha piada).
É mesmo um beco sem saída. Mais vale esperar pelo nosso messias eternamente, uma espécie de Luke Skywalker que nos vai salvar do Império do mal. Só espero que esse Luke Skywalker se chame Leandro Pimenta, ou André Carvalhas, ou Rúben Lima, ou Miguel Rosa, ou Nélson Oliveira, ou Romeu Ribeiro, ou Roderick Miranda, ou David Simão, ou então que todos estes e mais alguns componham em conjunto a Força que irá derrubar o Darth Vader Pinto da Costa e seus truques baixos. Tem é que se dar uma hipótese aos miúdos um bocadinho maior do que os 15 dias antes do Torneio do Guadiana. E, também, esperar que os miúdos aprendam com os maus exemplos do Manuel Fernandes e do Miguel Veloso e ganhem no Benfica títulos importantes antes de irem para a Premier League que nós iremos aplaudir de pé na hora da saída por tudo o que nos deram com a promessa de que no final da carreira a porta esteja aberta para uma última época no clube do coração. Rui Costa é o expoente máximo desta mística e ainda hoje depositamos nele a nossa esperança no futuro. Miguel Victor é para mim o novo exemplo dos jovens que queremos ver no Benfica pois foi muito melhor do que Anderson, Edcarlos, Alcides ou André Luís, e é de Torres Novas terra de benfiquistas que sonham com o Benfica e não o vêem como uma porta para a Europa.
Sonhem benfiquistas que eu sonho todos os dias, e no primeiro dia da pré-época vou com a mesma esperança de sempre de que este ano vamos ser campeões e em Maio vou festejar até às tantas e sorrir até me doerem os dentes.
Força Benfica.

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Não mandem o Quique embora...

Agora que digeri a época 2008-09 que não correu da forma que eu esperava, posso afirmar: "Não mandem o Quique embora". É certo que muitos benfiquistas já não podem ver o espanhol à frente e que a equipa não joga nada, mas acho que a culpa não é do treinador, aliás, a culpa não é de ninguém em específico, apenas um constrangimento temporal, porque não se monta uma equipa campeã do zero numa só temporada. Simplesmente nesta época ainda não tinhamos a equipa perfeita para ganhar o campeonato. Mas, apesar de agora estarmos longe do líder, na viragem do ano fomos campeões de Inverno e, se isso não vale nenhuma taça, temos de admitir que até se fez um bom trabalho. Não me esqueço da demonstração de espírito de equipa que tivemos em Guimarães ao aguentarmos a vitória na segunda parte com menos um jogador, não me esqueço da força com que marcámos 4 golos na Mata Real contra uma equipa muito solidária e combativa como a do Paços de Ferreira, escusava mesmo sequer de falar das vitórias por 2-0 na Luz contra o Sporting e o Nápoles, em que se viu um Benfica à Benfica digno da festa que se viveu nas bancadas. Claro que também vimos essa mesma equipa a levar-nos ao desespero em muitos jogos, alguns mesmo de uma forma inexplicável como na recepção ao Galatasaray e na deslocação à Grécia onde viemos com 5 encaixados na bagagem. Mas, mesmo assim, o Quique foi fiel à mesma táctica (que nós achamos deprimente e descontextualizada da realidade do futebol português) e mesmo com meio mundo a implorar-lhe para meter o Aimar a "10" num losango no meio campo, ele nunca vacilou. E é aqui que eu sustento a minha ideia de deixarem ficar o Quique. Porquê? Vejamos o seguinte: o Benfica tem um plantel com bons jogadores, depois de tanto tempo a jogar sempre na mesma táctica seria natural que começassem a surgir alguns automatismos ou algumas jogadas mais frequentes. Mas não se viu nada... O Benfica na pré-época chegou mesmo a esboçar isso, naqueles lançamentos de 50 metros da defesa para o extremo esquerdo (na altura era o Urreta), e que, apesar de previsíveis, colocaram o Guimarães em sérias dificuldades para travar o miúdo uruguaio. Ou seja, 10 meses depois, os jogadores parecem que se esqueceram de criar, mas criar "mesmo", uma vez que o treinador enfiou-os nas casas tácticas como lhe competia fazer, corrigindo posições, etc., mas a equipa em si, não foi equipa ainda para poder criar um futebol próprio característico. Essa competência criativa, digamos, é da equipa toda, não somente de um jogador ou do treinador e, na minha modesta opinião, julgo que é uma qualidade das equipas que surge com o tempo. Li num blog os 10 pecados do Quique, aqui coloco as 10 virtudes da continuidade do Quique:
  1. Agora que o Quique conhece bem o plantel que tem (e o plantel conhece-se melhor a si) bastará comprar poucos reforços para as posições mais carenciadas de forma a colmatar as características que os jogadores do plantel actual não possuem (tal como parece estar a ser feito);
  2. A nível de lesões houve uma mudança radical, mesmo um jogador como Aimar, com um historial recente de lesões, fartou-se de jogar. O Carlos Martins que tem um problema crónico de desnível dos membros inferiores jogou muitos jogos e até joga a titular nesta fase final da época;
  3. A equipa está a começar a possuir os seus líderes e referências que conquistaram esse estatuto por mérito próprio (o Luisão como defesa experiente, o Maxi Pereira como jogador de equipa com determinação inesgotável, o Cardozo como grande goleador que já não tínhamos há muitos anos, o Rúben Amorim como jogador tacticamente perfeito e com grande jogo de equipa, o David Luiz como defesa polivalente que começa a mostrar muita qualidade na lateral esquerda e uma data de jovens com muito potencial para se tornarem grandes referências, como o Miguel Vítor, o Sidnei, o Di Maria e o Urreta);
  4. De todos os correctivos impostos pelo Quique, nenhum resultou em jogadores "queimados", ou seja, Quim é de novo titular, Sidnei tem jogado a titular, Cardozo é de novo titular, Reyes voltou a marcar e a dar a marcar e, por fim apesar de menos bem sucedido, o próprio Balboa já mostra algumas melhorias. O que demonstra a boa capacidade do Quique em gerir o plantel;
  5. Alguns jogadores menos motivados em jogar no Benfica (que de facto existem apesar de tal fenómeno me parecer de uma profunda debilidade mental) estão a ir embora, por um lado com grande pena minha por serem bons jogadores (Léo e Katsouranis), mas por outro lado já estou farto de discursos individualistas e narcisistas do género "Ai, ai, ai que não há vôos directos de Lisboa para Atenas" ou "Ai, ai, ai que o meu pai e a minha mãe estão doentes e por isso não consigo cumprir com as obrigações da minha profissão, pois só tenho 30 e tal anos e ainda não percebi que a vida é mesmo assim, os pais morrem mais cedo do que os filhos e que temos de aceitar isso como sendo a lei da vida, ninguém vive para sempre";
  6. Apesar de ser acusado de brando demais, Quique sempre foi muito realista nas análises que fez dos jogos e das arbitragens aceitando sempre os fracassos mostrando vontade inequívoca de melhorar, não sei o que ganhariamos com uma abordagem mais incendiária à Sporting, por exemplo, que dá uma péssima imagem da instituição e um certo desnorte no momento de engolir os sapos das frustrações desportivas;
  7. A inovação tecnológica que Quique trouxe consigo foi uma lufada de ar fresco na componente técnica do clube, já não é só dizer aos jogadores para correrem mais e que não têm atitude, já se mede a dinâmica de batimentos cardíacos de cada jogador na pré-época, já se analisam posturas de corrida dos jogadores, já se constroem bases de dados de cada jogo para se saber por onde é que o jogador corre e se tal se coaduna com a dinâmica táctica da equipa e já se fazem programas de treino específicos para cada jogador (os casos do Di Maria e do David Luiz que vieram a público exemplificam isso);
  8. A introdução dos jogadores júniores nos treinos dos séniores vai permitir que o treinador acompanhe o seu progresso e determine com melhor exactidão o momento certo para apostar neles na equipa principal (porque não basta ser bom de bola para jogar bem a sénior, é preciso ter cabeça sufiente para arcar com a responsabilidade de ser jogador do Benfica);
  9. A conquista da Taça da Liga revela que esta equipa é capaz de vencer e não deve ser minimizado pelo facto da competição ser recente, porque as equipas que participam nela são as mesmas que participam na Taça de Portugal e no Campeonato Nacional;
  10. Por fim, a continuidade de Quique será uma demonstração de coerência e de lucidez no rumo que se determina para o Benfica. Um novo treinador terá necessariamente de fazer todos estes passos outra vez, terá de se adaptar ao Benfica e à responsabilidade que advém desse facto e terá de cair, tal como Quique já caiu, da ilusão que se monta sempre que surgem mudanças estruturais no futebol do Benfica.
Viveremos sempre órfãos da ilusão que necessariamente tem de se montar na pré-época, até um dia termos a sorte de um treinador conseguir ser campeão logo na primeira época no clube? Veremos o que vai acontecer, com a certeza que nós adeptos, seremos sempre fiéis nos melhores momentos e nos piores.